O início de um sonho.

Quando se é jovem, escolher uma carreira pela qual percorrerá ao longo de sua vida é um tanto quanto angustiante. Nessa questão, diversos aspectos devem ser pensados. Ao concluir o ensino médio temos apenas um pedaço de papel que atesta que talvez não sejamos um tanto quanto ignorantes. Porém, na realidade brasileira, certificados de qualquer natureza não possuem muito valor. Engenharia? Ciência da Computação? Medicina? Tais áreas me provocavam enorme curiosidade… Cheguei a ser aprovado para cursar, em momentos distintos, essas três áreas, optei pela medicina. Não podemos negar que os mistérios do corpo humano são aqueles os quais mais despertam curiosidade no ser humano, outro mistério que compita com tal talvez seja a astrofísica… Mas uma simples pupila componente do globo ocular humano absorve a luz tal qual um buraco negro a absorve através de seu horizonte de eventos dada sua supermassividade e componente gravitacional, sendo que estímulos advindos da retina e trasportados pelo nervo óptico ao lobo occipital, processando informações eletromagnéticas da natureza da luz, resultando no simples ato de enxergar o mundo. Quem sabe, posteriormente a um horizonte de eventos de um buraco negro, exista algo do tipo que ocorre constantemente no cérebro vivo. Não obstante palavras confusas, iniciar um curso de medicina é um tanto quanto frustrante pelo simples fato de nunca sabermos de nada, assim como o grande Sócrates. Ao abrir o livro Bioquímica Lehninger percebemos que ser alfabetizado em português não quer dizer fezes nenhuma. Estudar o ciclo básico da medicina é como se tornar especialista em biologia molecular em uma noite e alguns dias depois esquecer os detalhes do funcionamento de uma mitocôndria. Provavelmente algum médico formado no século passado não sabia da existência de tal organela citoplasmática, mas por incrível que parece a faculdade da época o habilitava para realizar uma cesariana, procedimento o qual é realizado na contemporaneidade por especialistas com décadas de formação. Creio que o sistema educacional médico regrediu em alguns pontos, no primeiro ano, por exemplo, diversos colegas reprovaram em embriologia (disciplina importante, só que saber da existência de uma mórula não salva a vida de ninguém), mas ao final da faculdade alguns mestres pouco se importam se seus alunos sabem conduzir bem uma parada cardio-respiratória. Parece piada, mas a disciplina de suporte básico de vida a qual nos dá tal habilidade é optativa, sendo obrigatório, por exemplo, cursar instrumentação linguística para não anotarmos nenhuma anaptixe em um prontuário, documento médico ininteligível em alguns momentos.

Durante quase 6 anos cursando medicina, o único momento em que me foi ensinado a realizar uma punção venosa foi em uma aula prática de bioquímica no primeiro período… Não existe sistematização na obtenção de habilidades médicas, tudo vai do interesse do aluno e das oportunidades que ele encontra pelo caminho.

Dia em que fui corajoso para ceder uma veia para um nobre colega aprender.

Emfim, sonhos são diferentes da realidade, quando dormimos tudo é perfeito, enquanto em vigília temos que criar nossa perfeição.

Uma consideração sobre “O início de um sonho.”

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